quinta-feira, 4 de julho de 2013

Artigo de Divaldo Franco "Clamor das Massas"


Texto de autoria de Divaldo Franco originalmente publicado no Jornal A Tarde de, 20/06/13, sobre as manifestações em todo o Brasil.

Clamor das Massas 

"Quando as injustiças sociais atingem o clímax e a indiferença dos governantes pelo povo que estorcega nas amarras das necessidades diárias, sob o açodar dos conflitos íntimos e do sofrimento que se generaliza, nas culturas democráticas, as massas correm às ruas e às praças das cidades para apresentar o seu clamor, para exigir respeito, para que sejam cumpridas as promessas eleitoreiras que lhe foram feitas...

Já não é mais possível amordaçar as pessoas, oprimindo-as e ameaçando-as com os instrumentos da agressividade policial e da indiferença pelas suas dores.

O ser humano da atualidade encontra-se inquieto em toda parte, recorrendo ao direito de ser respeitado e de ter ensejo de viver com o mínimo de dignidade.

Não há mais lugar na cultura moderna, para o absurdo de governos arbitrários, nem da aplicação dos recursos que são arrancados do povo para extravagâncias disfarçadas de necessárias, enquanto a educação, a saúde, o trabalho são escassos ou colocados em plano inferior.

A utilização de estatísticas falsas, adaptadas aos interesses dos administradores, não consegue aplacar a fome, iluminar a ignorância, auxiliar na libertação das doenças, ampliar o leque de trabalho digno em vez do assistencialismo que mascara os sofrimentos e abre espaço para o clamor que hoje explode no País e em diversas cidades do mundo.

É lamentável, porém, que pessoas inescrupulosas, arruaceiras, que vivem a soldo da anarquia e do desrespeito, aproveitem-se desses nobres movimentos e os transformem em festival de destruição.

Que, para esses inconsequentes, sejam aplicadas as corrigendas previstas pelas leis, mas que se preservem os direitos do cidadão para reclamar justiça e apoio nas suas reivindicações.

O povo, quando clama em sofrimento, não silencia sua voz, senão quando atendidas as suas justas reivindicações. Nesse sentido, cabe aos jovens, os cidadãos do futuro, a iniciativa de invectivar contra as infames condutas... porém, em ordem e em paz."

Divaldo Pereira Franco. 


(fonte: http://www.intelitera.com.br/Julho2013/clamor-2013.html)


Divaldo Franco fala sobre as
manifestações em todo o Brasil


sexta-feira, 31 de maio de 2013

Coerência legítima

Joanna de Ângelis
imagem: jesucristoenelcine.blogspot.com.br/

É natural que o indivíduo, no seu círculo social, busque agradar aos demais companheiros, gerando simpatia e cordialidade.

No inter-relacionamento pessoal há uma necessidade premente de se fazer amigos e conquistar-se corações.

Multiplicam-se os métodos de persuasão para facilitar o êxito no grupamento comunitário, o destaque na esfera humana em que cada qual se movimenta.

A preocupação com a aparência e com os resultados dos esforços de ampliação do círculo de amizades torna-se, às vezes, exagerada, como se a finalidade exclusiva da existência fosse o triunfo nos negócios, na convivência, na sociedade...

O cristão decidido, no entanto, tem outra meta, que é o auto-aprimoramento moral.

Interessado na conquista de patamares espirituais mais elevados, sem desconsiderar a vida social, entrega-se a outras buscas, aquelas que lhe facultam a transformação de hábitos para melhor, a renovação de conduta, que mais se deve aprimorar.

Reconhecendo a fragilidade da organização física em que transita e a relatividade do tempo terrestre na sua realidade eterna, aplica-o na vivência do programa espiritual que lhe constitui a vida.

Sabendo que a reencarnação é uma experiência de breve curso, aproveita-a para se iluminar buscando erradicar as paixões perturbadoras e fixando os sentimentos enobrecedores.

Consciente de que o maior êxito que pode conseguir é em relação às próprias imperfeições, afadiga-se por superar-se a cada dia, insculpindo o bem na mente e no coração, que lhe passa a nortear os passos.

*

Êxito e simpatia na Terra são aquisições de breve duração.

Os amigos exigem consideração constante, concordância contínua, conivência...

A mesa farta, as fastas frequentes, os encontros alegres constituem o cardápio apetitoso para os comensais do prazer e da ilusão.

Rapidamente, porém, eles mudam de endereço aonde se locupletam passando a outros ídolos, a outras movimentações, a outros recintos...

Ademais, ninguém agrada realmente a quem se compraz com a mentira, a bajulação, o endeusamento.

Saturam-se, tais pessoas, com facilidade, em suas existências ociosas com os seus corifeus e admiradores.

Entediados, estão sempre em busca de sensações novas até quando a enfermidade, os revezes do caminho e a morte os convidam à realidade.

*

Não te amargures, pois, se te sentes isolado, incompreendido, censurado, porque elegeste a Causa do Bem no mundo, a tua libertação moral.

Sempre haverá quem censure outrem, particularmente, nos círculos da frivolidade na qual todos parecem simpáticos e apenas parecem...

Respeitando a sociedade e os seus grupos, buscando auxiliá-los, não te submetas às suas exigências e caprichos.

Segue a trajetória traçada em paz íntima, sem outro aplauso que não seja o da própria consciência.

Sê, portanto, coerente nos atos com aquilo que pensas e falas.

*

Jesus era o Homem sociável, por excelência.

Conviveu com as criancinhas, participou do festim de bodas, dialogou com os réprobos e repudiados, visitou os enfermos e os curou, obedeceu à Lei, frequentou a Sinagoga, movimentou-se nas multidões que atraía, confortou a todos que O buscavam em sofrimento, desobrigou-se com elevação dos deveres domésticos, mas insurgiu-se contra os poderes político e religioso arbitrários, enfrentando o farisaísmo com serenidade e invectivando a hipocrisia, a hediondez...

... E não se submeteu a ninguém, nem a grupo algum, porque a Sua deveria ser uma conduta exemplar, uma vida impoluta, ensinando e vivendo a proposta do amor de Deus.

Nunca cedeu às paixões dominantes, nem se preocupou em agradar aos poderosos, aos indivíduos em geral.

Amou-os, mas não se permitiu adaptar-se aos seus gostos.

Trouxe um compromisso que desempenhou com elevação.

Por isso, pagou o preço da Sua vinculação com a Verdade e da Sua coerência com a Realidade que desvelava.

Toma-O como Modelo e não te preocupes com mais nada, realizando o teu dever, aquele para o qual renasceste.

(Fonte: No Rumo da Felicidade. Psicografia: Divaldo Pereira Franco. Págs. 65/68. ebm editora).

sexta-feira, 19 de abril de 2013

4º Dia dos XIII & VIII Encontros Espíritas Seja/Caminho de Luz

Dia 14.04.2013
O quarto e último dia dos Encontros iniciou pela manhã com a realização do Seminário "Autoconhecimento e Tentações". O querido facilitador Wesley Caldeira inicia a exposição convidando todos a observar a imagem tema do Encontro que ilustra o banner do evento. A figura do Mestre Jesus, sentado, e a criança que, apoiada com os bracinhos sobre sua perna, se debruça atenta e embevecida sob o olhar carinhoso do Mestre. Fazendo uma bela e agradável leitura do cromo, o querido facilitador instou os presentes a considerar que qual de nós não gostaria de estar a contemplar o Mestre, como a criança o fazia, suscitando adoráveis reflexões que envolveram todos em uma atmosfera de suavidade e paz, como preparação para os conteúdos que seriam logo mais trabalhados. Abordando aspectos da vida de Buda e sua peregrinação em busca da iluminação, o facilitador desenvolveu o seminário apresentando uma linha psicológica das tentações que compreendia alguns estágios como: a sugestão, a resistência, a hesitação, a fraqueza e o consentimento, enfocando que, em regra, as tentações se iniciam com o desejo, que estimulado leva à busca de satisfação e, que atendido, culmina com o arrependimento, que é o alvo a que se pretende alcançar com a sugestão do desejo, pois representará o estágio em que a alma, fragilizada pelo incômodo de ter realizado algo que não deveria ter feito, expõe-se as investidas de "acompanhantes invisíveis", que a coloca como presa para diversos tormentos. A natureza da relação com os cinco estágios e sua vivência está associada com a capacidade de maturidade da alma e sua aprendizagem consolidada no processo evolutivo. Ilustrou, ainda, a sua abordagem, com o quadro "A Tentação de Santo Antonio", de Salvador Dali, em que mostrou a genialidade do grande pintor catalão ao explorar a dimensão do universo interior do "Santo" e sua "luta" para vencer as "tentações" da alma, suscitando indagações de como seria cada um de nós no lugar do "Santo" retratado por Dali, depois de ter indicado o seu próprio lugar naquele contexto. O querido facilitador proporcionou um encontro com as possibilidades da alma na sua jornada de autoconhecimento. Durante o intervalo do evento tivemos um encantador momento de arte com a performance da bela bailarina Lorena, filha dos nossos queridos Jornandes e Edna, que no auge da sua exuberância infantil e profunda sensibilidade plástica apresentou-nos uma lição da educação corporal sob a ação do espírito, propiciando enlevo e arrebatamento aos presentes.
A noite foi iniciada com a reprise do vídeo sobre "Jesus", criando um ambiente de harmonia e paz. A jovem cantora Carol, ainda mais sensível, nesta noite de encerramento, envolveu a todos em vibrações melodiosas de agradável sonoridade, preparando as energias do ambiente para a palestra do querido irmão Cláudio Sinoti, que abordou sobre "Jesus, O Homem Integral". Trazendo reflexões acerca do momento belicoso vivido por algumas nações planetárias e a sandice da violência, ainda presente em governantes, considerou acerca dos grandes avanços tecnológicos da atualidade e a viagem do homem nas conquistas externas, que se contrapõe ao desconhecimento interior, gerando dificuldades na vida de relação, em que os conteúdos internos da alma, ainda em conflito, são manifestados e projetados nos outros. Apresentando o Mestre Jesus como Modelo e Guia, o Homem Integral de todos os tempos, destacou passagens de sua vida terrena e de seus ensinamentos, elucidando como sua ação educadora contribui para a orientação das almas na busca de si mesmas. Apresentando a visão de grandes psicólogos acerca do Cristo esclareceu como a Alma íntegra e harmônica do Mestre, lidou com os todos os desafios que se Lhe apresentaram. Destacou a bela passagem evangélica da mulher surpreendida em adultério, levada à praça pública para apedrejamento popular e a intervenção de Jesus, que indagando sobre a condição de cada um para julgar as faltas alheias, ensina a grande lição do respeito e da tolerância, do não julgamento, como medida para uma saudável relação com o outro e caminho para a construção de uma jornada espiritual amorosa na vida, de compreensão e cooperação mútuas, de entendimento dos limites e possibilidades de cada um, contribuindo sempre para o soerguimento e prosseguimento pessoal da alma na autosuperação dos próprios limites que traduz o caminhar individual do Espírito ao encontro de Deus. Indagando sobre a maneira como estamos lidando com os ensinamentos do Mestre, o Homem Integral de todos os tempos, na experiência da vida; de como esses ensinamentos têm repercutido em nossas existências, contemplou seu olhar nas profundidades da própria alma e com sereno e amoroso questionamento finalizou: "Senhor, que queres que eu faça?"



Fotos: Vanderley Gonçalves da Silva.