Marta Antunes Moura
Trabalhadora espírita vinculada à Federação Espírita Brasileira desde 1980.
Supervisora do programa “O Evangelho Redivivo” – Brasília (DF)
A despeito da necessidade de conhecer, meditar, sentir e vivenciar a mensagem do Cristo, ainda estamos muito distantes de absorver, na sua integralidade, o Evangelho, pois investimos muito tempo, ao longo das inúmeras reencarnações, em apreciar ou destacar os aspectos literais do Evangelho, interpretados sob o véu de princípios teológicos e exercitados por meio de práticas ritualísticas. Existe, desta forma, um processo subliminar atávico que precisa ser reeducado.[1]
[…].
Chegamos à conclusão de que o Evangelho, em sua expressão total, é um
vasto caminho ascensional, cujo fim não poderemos atingir, legitimamente,
sem conhecimento e aplicação de todos os detalhes. Muitos estudiosos presume
haver Alcançado o termo da lição do Mestre, com uma simples leitura vagamente
raciocinada […]. [2]
No meio espírita, inclusive, surpreende-se
quando há quem demonstre pouco ou nenhum interesse pelo estudo aprofundado
do Evangelho, indicando por palavras ou ações que falar, entender e
esforçar para vivenciar a Mensagem do Amor, transmitida e exemplificada
por Jesus, é algo secundário ou de menor relevância. Na verdade, precisamos
estar mais atentos, evitando opiniões precipitadas, armadilhas emocionais ou
empolgações intelectuais. Procuremos, ao contrário, aprofundar o nosso entendimento
a respeito da Mensagem de Amor que Jesus nos destinou, agindo com mais
simplicidade, sim, mas também procurando senti-la em profundidade para, efetivamente,
vivenciá-la:
[…] O
Evangelho é o edifício da redenção das almas. Como tal, devia ser
procurada a lição de Jesus, não mais para qualquer exposição teórica, mas
visando cada discípulo ao aperfeiçoamento de si mesmo, desdobrando as
edificações do divino Mestre no terreno definitivo do Espírito.[3]
Qualquer tentativa de conhecer resumidamente
os ensinos do Mestre Nazareno é como colocar o oceano em uma
xícara, já afirmava o respeitável estudioso estadunidense Bruce
Norman Champlin (1933- 2018), que analisou o Antigo e
o Novo Testamentos, versículo a versículo.
O Evangelho de Jesus estudado à luz da
Doutrina Espírita é manancial de paz e de grande entendimento, pois, além
de nos libertar de atavismos, de ideias preconcebidas ou de certas
manifestações do ego, concede-nos a força moral libertadora das
imperfeições espirituais que ainda albergamos no íntimo do ser. O
Evangelho de Jesus, repetimos, conhecido e interpretado segundo os preceitos
do Espiritismo é proposta que fortalece a aquisição de valores morais e
éticos, necessários à ascensão a planos superiores da vida.
O Espiritismo, sem Evangelho, pode alcançar as
melhores expressões de nobreza, mas não passará de atividade destinada a
modificar-se ou desaparecer, como todos os elementos transitórios do
mundo. E o espírita que não cogitou da sua iluminação com Jesus Cristo,
pode ser um cientista e um filósofo, com as mais elevadas aquisições
intelectuais, mas estará sem leme e sem roteiro no instante da tempestade inevitável
da provação e da experiência, porque só o sentimento divino da fé pode arrebatar
o homem das preocupações inferiores da Terra para os caminhos supremos dos
páramos espirituais.[4]
Felizes
os que tem olhos que veem e ouvidos que ouvem! (Mateus, 13:16)
Referências
[1]
EMMANUEL (Espírito). Renúncia. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. 36 ed.
7 imp. Brasília: FEB, 2017. 2a Parte, cap. 3.
[2] Moura, Marta Antunes (Org.). Introdução ao estudo d0
Evangelho Redivivo. 1. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2019. Tema
1, p. 21.
[3] EMMANUEL (Espírito). Renúncia.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier. 36 ed. 7 imp. Brasília: FEB,
2017. 2a Parte, cap. 3.
[4]EMMANUEL (Espírito). O consolador.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier. 29 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2016. Q.
282.
[5] EMMANUEL (Espírito). O consolador.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier. 29 ed. 3 imp. Brasília: FEB, 2016. Q.
236
Fonte: A mensagem do Cristo precisa ser conhecida, meditada, sentida e vivida (Alcíone) – FEB

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